Três trechos, 19 horas corridas e onze mil quilômetros percorridos. Foi assim a vinda de São Paulo até Trondheim. Para quem viaja ao exterior pela primeira vez, como é o caso, parece surreal acreditar que, realmente, é possível chegar a qualquer lugar do mundo. A viagem:
Curiosamente, saí de Cumbica tranqüilo. A viajem foi boa. Chegando a Lisboa, o crivo do setor de imigração. Uma hora de fila, três minutos de atendimento e a agente lusitana permitiu minha entrada no velho mundo.
Daí pra cá a ansiedade começou a tomar seu lugar, cativo, em mim. Ainda no vôo de Lisboa para Oslo tudo estava bem, mas o português que monopolizou o vôo anterior agora começava a dar espaço a um outro idioma, bárbaro para o bárbaro que chegava na Noruega. A coisa começou a se complicar.
Uma parada em Oslo, -10ºC e de repente caiu a ficha. Já era um estrangeiro de verdade, agora. Meu desespero diminuiu um pouco ao encontrar uma brasileira, com quem pude conversar em português por algum instante.
Sábado, às 17:10 (horário da Noruega) cheguei a Trondheim. Nevava, bastante. No ônibus do aeroporto para o centro da cidade bateu o desespero de ser só no longe, o medo do desconhecido. Fé em Deus, cheguei ao centro. A camada de neve nas calçadas chega a ter mais de 30 cm. Experimente arrastar duas malas de 20 kg cada nessas calçadas.
No centro da cidade me aguardava um funcionário do Marintek, empresa onde vou trabalhar. Viemos até o alojamento, depois fomos até a empresa. Pertinho daqui, uns 10 minutos a pé. Muito bem agasalhado, não passei frio. Exceto no rosto, boca e orelhas quase congeladas.
Em casa, finalmente pude conversar por horas com minha família, bendito Skype.
Todos dizem que os primeiros dias fora do país costumam ser difíceis, e de fato estão. É muito grande a saudade da família, de casa, dos amigos, de ir na padaria e dizer "dá meia dúzia de pão", de pagar os pães em Reais, de sair de casa sem blusa... mas principalmente da família, e dos amigos.
No entanto, a experiência valerá a pena, com certeza. O Marintek é muito bacana, minha formação será outra. Trondheim é uma cidade bonita, e os noruegueses são um povo de bem com a vida. Hoje (domingo, 15/2) pela manhã dei uma volta aqui por perto, um bairro residencial, pais puxando suas crianças sobre trenós, pessoas esquiando nas calçadas e passeando com seus cachorros.
Se Deus quiser, e com fé nEle, tudo correrá bem. Em julho estarei de volta ao Brasil, muito mais maduro e com a experiência de já ter vivido no país de maior IDH do planeta. Sem, no entanto, ter pretensões de viver fora do Brasil novamente. É meu país.
Beijos e abraços.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
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Aproveite para esquiar de graça nas calçadas! Logo logo a neve vai começar a derreter!! Não deixe de fazer um boneco de neve, jogar neve em alguém, rolar na neve etc.
ResponderExcluirE que super-patriotismo é esse? Viver temporariamente em outro país é bom! Podemos aprender coisas que nos ajudarão a desenvolver melhor nosso país!
tô contigo, acho que o Brasil, ainda que seja o país dos idiotas que riem da própria desgraça, continua sendo o melhor lugar do mundo... é só aprender a rir da própria desgraça! Ah, sim, faz logo um anjo na neve tb!!
ResponderExcluirtambém adoro essas palavras que eles mandam a gente digitar pra publicar o comentário. desta vez foi "elepoky", parece nome de cachorrinho norueguês!
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