quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Tiriricasson
A candidatura-piada foi lançada na internet em maio e se revelou um fenômeno. Tanto assim que o candidato decidiu que concorrer ao Parlamento era pouco. Melhor mesmo era se lançar logo a prefeito da capital Reykjavík, o segundo cargo mais importante da hierarquia política do país, perdendo apenas para o de primeiro-ministro. Além dos benefícios pecuniários – um parlamentar ganha cerca de 7 mil reais enquanto o prefeito de Reykjavík embolsa 13,5 mil –, o cargo abriria horizontes mais amplos: “Quero arranjar um trabalho bem pago pra poder ajudar meus amigos e parentes. Também quero ter assessores e ganhar um monte de coisas de graça”, declarou com candura o candidato a prefeito." E assim foi feito. Em 29 de maio, Jón Gnarr, personagem inventado pelo cidadão islandês Jón Gunnar Kristinsson, venceu as eleições municipais com 20 666 votos, 34,7% do eleitorado. É como se o Macaco Tião tivesse chegado ao Palácio Guanabara, ou Cacareco ao Palácio dos Bandeirantes. Mais precisamente, é como se o seu Creysson tivesse sido eleito, e Claudio Manoel, a caráter, fosse investido do mandato.
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_48/artigo_1397/Palhaco_municipal.aspx
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_48/artigo_1397/Palhaco_municipal.aspx
domingo, 7 de junho de 2009
Oslo
Oslo é cidade grande, mas não é muito grande. Oslo costuma ser fria, mas lá eu passei calor. Oslo é antiga, mas é moderna. Oslo é cara, mas vale cada centavo (ou melhor, cada øre). Oslo é linda, pra caramba.
Gostei de Oslo. Aproveitei o feriado da Ascensão de Cristo (Himmelfatsdag, 21/5) e passei longos três dias na capital norueguesa. Fui de Trondheim até lá de trem, sete horas de viagem entre montanhas com algum resto de neve nos cumes. Cheguei de manhã, deixei as malas no albergue e saí para fazer o primeiro reconhecimento da cidade. Vazia, afinal era manhã de feriado e norueguês leva feriados e domingos muito a sério.
Comecei com uma andada pela margem do rio Akerselva. Depois resolvi pegar a direção da parte mais central, passando pela badalada rua Karl Johans, onde um sãopaulino fazia malabarismos com uma bola e duas muletas para ganhar seus trocados. Vi também o Parlamento (Stortinget), o cais, a prefeitura, a moderna Ópera, o Palácio Real (com direito a troca da guarda), o Vigelandsparken (parque cheio de esculturas em pedra) e mais um bocado de coisas.
No dia seguinte lancei mão de meu Oslo Pass, um cartão que temporário que te permite entrar em vários museus e usar sem limites a extensa malha de transportes de Oslo - Trens, metrôs, ônibus e barcos. Museu Viking, museu de Cultura Popular, museu Polar, Museu Naval e até no museu do Futebol eu fui, com direito a visita ao campo do Ullevaal Stadium. À "noite", uma andada pelos bares da Karls Johan e também da Aker Brygge, que beira o cais.
No dia seguinte, dei uma andada de barco pelo Oslofjord, visitei a fortaleza de Akershus e ao museu de Edvard Munch. Almocei num bom restaurante e fiz boas compras. Cheguei ao aeroporto com os pés pedindo férias, e voltei para o interior.
Gostei demais de Oslo, de verdade. Recomendo, e muito, que incluam Oslo em seus possíveis roteiros pela Europa.
Até!
domingo, 17 de maio de 2009
17 de Maio
O Dia Nacional da Noruega. Dia em que os noruegueses celebram a declaração da Constituição, datada de 17 de maio de 1814. Sendo assim, a cidade passou a semana enfeitada com bandeiras norueguesas. Casas, supermercados, pontes. Homens em ternos e mulheres em vestidos tradicionais formam a parada, junto a fanfarras, militares e os mais diversos grupos, organizações e clubes. Grupos de escoteiros, de dança, de cultivadores de bigode, de falantes de esperanto, etc, e bota etc nisso! Incontáveis as bandeirinhas da Noruega tremulando em meio à multidão. Muito bonito, mesmo.
Dá gosto ver como eles levam isso a sério. Dá gosto estar em um lugar onde amar o país não é ridículo. Dá gosto viver junto a um povo tão de bem com a vida. Estou, perigosamente, gostando cada vez mais daqui. Sabe o que é ir para a balada à meia-noite, com o céu claro e sem ter a menor preocupação com sua segurança? Eu sei.
Fiquem com Deus.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
A Lida
"Sistemas de Posicionamento Dinâmico (SPD) são sistemas cuja função é manter um navio em posição estacionária ou fazê-lo seguir uma trajetória através do uso dos propulsores principais e auxiliares."(Souza et al., 2008). É esse o motivo pelo qual estou aqui, sendo inclusive a referência acima o artigo que publiquei no congresso no Rio, onde falei com o pessoal do Marintek e, enfim, consegui o sonhado estágio. Simples assim.
Mais precisamente, em meu estágio mexo com os algoritmos responsáveis pelo controle disso tudo. Mais precisamente ainda, esses algoritmos devem ser capazes de separar as componentes de alta e baixa frequências do movimento do navio - é aí que eu entro.
A tarefa é cumprida através do famoso Filtro Kalman. Esse filtro nada mais é que um algoritmo de predição-correção, baseado nas covariâncias dos ruídos (vide glossário abaixo) dos processos e da medição. Para isso supõe-se que esses ruídos sejam gaussianos, tenham média zero e sejam brancos (vide glossário, de novo), o que impossibilita que ele funcione perfeitamente na prática. Ainda assim, os resultados costumam ser bons, sendo o filtro amplamente usado na indústria.
Assim, suponha por exemplo que você saiba que o sinal a ser filtrado seja mais ou menos senoidal, misturado a um processo aleatório, desconhecido. Suponha também que você não saiba a frequência, a fase e nem a amplitude desse sinal - assim como a variância do processo aleatório -, mas tenha pelo menos uma noção desses valores. A idéia é, basicamente, você usá-los para montar um modelo capaz de fazer uma estimativa do processo real, a estimativa a priori. Em seguida obtém-se uma medição do processo real, que nunca é e nunca será um sinal limpo, livre de ruído, seja lá qual for método utilizado para se obtê-lo. O próximo passo é subtrair aquela estimativa da sua medição, obtendo uma diferença chamada inovação. Finalmente, multiplica-se a inovação pelo ganho, e em seguida soma-se o resultado à estimativa a priori, obtendo-se a estimativa a posteriori. Pronto! Teoricamente essa é a estimativa ótima, e seria perfeita caso fosse possível conhecer perfeitamente as estatísticas dos ruídos e caso eles fossem, de fato, brancos. Os ganhos são calculados através de equações que envolvem as matrizes do sistema (descrito em espaço de estados), e de covariância do processo, de medição e de propagação dos erros.
Abaixo, um exemplo. Criei um processo senoidal com ruído. Para simular a medição, somei com mais ruído. Para as estimativas a priori, usei um modelo com frequência menor e amplitude maior do que utilizei no processo. A curva em azul representa a medição, e a em vermelho é o sinal já filtrado (clique sobre a figura para ampliá-la):

Como já disse, a utilidade desse filtro em SPD é evitar que os propulsores controlem os movimentos de alta frequência - o que levaria a um altíssimo gasto de energia, além da alta modulação experimentada pelos motores e hélices, levando-os rapidamente à fadiga. Além disso, esses movimentos possuem média zero, ou seja, apenas fazem com que o navio oscile sem, no entanto, movê-los para além da posição desejada. Assim, seria inútil controlá-los.
É com isso que trabalho. Mais Engenharia de Controle que Engenharia Naval, mas não deixa de ser Naval!
Fiquem com Deus.
Glossário:
Algoritmo: sequência de operações matemáticas com alguma função específica.
Algoritmo de Predição-Correção: algoritmo que produz um resultado inicial e o corrige com alguma informação futura.
Gaussiano: que obedece à distribuição estatística proposta por Gauss.
Espaço de estados: método de solução de equações diferenciais, no qual criam-se tantas variáveis quanto for a ordem da equação.
Fadiga: falha estrutural causada por esforços repetitivos.
Ruído: componente não-determinística de um sinal, da qual se conhecem no máximo propriedades estatísticas. As interferências que ouvimos nos rádios, por exemplo, são devidas a ruídos nos sinais emitidos pelas emissoras.
Ruído Branco: ruído perfeitamente aleatório, impossível de se obter na prática.
Senoidal: que possui comportamento semelhante ao de uma função seno. Ou seja, uma onda.
domingo, 19 de abril de 2009
Peregrino
1º dia (7/4): viajei apreensivo, na verdade meio arrependido de ter escolhido Israel ao invés de aproveitar meu maior feriado para viajar pela Europa. Quis até fugir do aeroporto em Bruxelas, onde fiz uma conexão, mas segui meu rumo e, às 23:45 (horário de Israel) cheguei ao aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. Já na saída da escada rolante uma mocinha loirinha, olhos azuis e por aí vai me abordou: "Shalom! ##%¨¨¨%$%&$$&%¨$!" "Sorry?", respondi. "Passport, please!". E começou: "O que faz aqui? Onde ficará? Veio sozinho? Conhece alguém em Israel?". Foi apenas o primeiro de cinco interrogatórios em que foram feitas exatamente as MESMAS perguntas. Em um deles outra agente (ainda melhor que a primeira) chegou a revirar minha mala e carteira. Duas horas depois, passaporte carimbado, tive acesso ao resto do aeroporto, onde esperei até a manhã seguinte pela van até Jerusalém.
2º dia: cheguei a Jerusalém pouco antes do meio-dia, porque o picareta do taxista não queria sair do aeroporto enquanto a van não estivesse cheia (ainda que as regras me garantissem esperar no máximo uma hora). Em Jerusalém judeus queimavam coisas nas esquinas. À primeira vista a Cidade Velha me lembrou a rua 25 de Março. Meias, mirra, folhas-de-uva, temperos, roupas, pedras, jóias, artigos religiosos, vende-se de tudo naquele lugar. Por todos os lados soldados da guarda israelense, todos devidamente portando metralhadoras e fuzis (inclusive senhoritas de seus 20 e poucos anos). O albergue tinha um terraço de onde se podia ter uma vista muito bonita de Jerusalém, com o Monte das Oliveiras ao fundo. Depois fui andar pelos arredores, até chegar à igreja do Santo Sepulcro. De cara, a pedra onde Cristo foi deitado após a crucifixação. Era só o começo.
3º dia: uma linha de ônibus liga Jerusalém a Belém. São poucos quilômetros de distância, mas Belém já está sob jurisdição da Autoridade Palestina. Lá, israelense não entra. Belém também é uma cidade muito bonita. De alguns pontos é possível ter vistas muito bacanas. Para cristãos, o ponto principal é a Igreja da Natividade, mais precisamente a gruta on Jesus Cristo nasceu. Sem dúvida, um dos locais mais emocionantes onde já estive. Visitei também a Gruta do Leite, local de onde José e Maria fugiram com Cristo para o Egito. Reza a lenda que, ao amamentar o Menino, uma gota de leite de Maria caiu no chão, aí o nome da gruta. Verdade ou não, a gruta é, naturalmente, branca por dentro. Na volta a Jerusalém, uma parada no checkpoint. Soldados israelenses entram no ônibus portando fuzis AR-15 para checar passaportes. Cheguei a tempo de mais um passeio por Jerusalém. Passei pelo Muro das Lamentações, onde um judeu me xingou porque eu estava sem quipá e tirando foto no feriado. Depois, um bom tempo perdido pelas ruazinhas da Cidade Velha.
4º dia: monges franciscanos conduziram a Via Sacra, seguindo o mesmo caminho de Cristo em sua paixão, pela Via Dolorosa, e parando nas estações da Cruz. Um deles, brasileiro, me reconheceu como conterrâneo pela minha camisa do SPFC. Após a procissão, visitei finalmente o Santo Sepulcro, onde Cristo foi sepultado, vindo a ressuscitar no domingo seguinte. Mais um lugar único de se visitar, considerado o mais sagrado do mundo para os cristãos.
À tarde, inventei de conhecer o Mar Morto. A recepcionista do albergue tinha dito que era fácil chegar, e lá fui eu para Jericó. Chegando fui pedir informações, mas ninguém falava inglês (ao contrário de Jerusalém). Com muita dificuldade um quitandeiro me recomendou que eu seguisse por uma estrada. Fui indo, até que dois palestinos num carro que passava me ofereceram ajuda. Expliquei que queria ver o Mar Morto, mas eles não entenderam e me deixaram numa chácara, disseram para eu entrar. Entrei, um monte de gente fazendo churrasco. Me mandaram falar com um velho armeno, que falava inglês e me explicou que de lá eu não ia conseguir ver nada. Vendo que eu estava perdido, chamou um táxi que me levou de volta ao centro de Jericó, de onde voltei para Jerusalém. Pelo menos, vi o Mar Morto da estrada. À noite, vesti a camisa da seleção brasileira e saí pela Cidade Velha, e uns palestinos que estavam jogando futebol exigiram que eu jogasse com eles.
5º dia: de manhã fui fazer compras pela Cidade Velha e logo vi meus sheqels se esgotarem, sendo obrigado a trocar mais. Depois fui ao Monte das Oliveiras. Visitei lá o local de onde Cristo subiu aos céus, o local onde Ele ensinou o Pai Nosso aos apóstolos, a gruta onde Judas O traiu, o Dominus Flevit e a tumba da Virgem Maria. Além disso, pude ter uma das melhores vistas possíveis de Jerusalém. À noite, resolvi dar uma andada pela Jerusalém além da Cidade Velha. Que cidade! Shoppings, praças, hotéis, avenidas, bares, comércio, baladas. Quando o Sabbath termina os judeus saem todos às ruas, um povo muito de bem com a vida. É impossível dizer que aquilo lá não é o lugar deles. Realmente, a questão geopolítica de Israel é muito complexa.
6º e 7º dias: primeiro, a missa de Páscoa e a última visita ao Santo Sepulcro. Depois, mais uma andada pela Cidade Velha, e à noite mais uma volta por Jerusalém. Depois, voltei ao aeroporto, muito antes da hora do meu vôo porque queria tentar antecipá-lo. Sem sucesso, tive que esperar 12 longas horas até que pudesse embarcar.
Ao visitar tantos locais sagrados e importantes para o cristianismo, eram inevitáveis reflexões a respeito da fé em Deus, nos mistérios de Cristo e, principalmente, no bem que Ele nos faz. Em dados momentos sentia uma paz interior muito grande, de um modo que nunca tinha sentido antes. São muitas bençãos, só tenho mesmo a agradecer por tudo aquilo que tenho e terei, aqui e depois. E claro, além do lado religioso, a viagem foi única também nos aspectos históricos e principalmente culturais, pelo fato de coexistirem duas culturas bem distintas no mesmo lugar. Valeu muito a pena. Fiquem com Deus.
domingo, 5 de abril de 2009
Vassfjellet
Ou, em tradução para o português, "A Montanha d'Água". É o nome de um parque de esqui a alguns minutos de Trondheim, onde fui ontem. Experiências exercitadas:
- experiência do desapego material. Aluguel do equipamento (esquis + pólos + botas + capacete): 320 NOK; bilhete para os teleféricos: 325 NOK; ônibus, ida e volta: 60 NOK; almoço: 68 NOK; TOTAL: 773 NOK = R$ 260,00 por 5 horas de diversão.
- experiência do descontrole motor. Imagine que, de repente,o atrito entre seus pés e o chão desapareça. Simples, assim. A menor inclinação no chão e você começa a se mover, sem qualquer controle. Não consegue virar nem frear, apenas se move ao sabor da gravidade.
- experiência do controle emocional. Uma consequência da experiência anterior. Você é levado pelo teleférico até o ponto mais alto de uma pirambeira cheia de neve e, sem realmente desejar, começa a deslizar. Quando vi já estava descendo, e descendo e descendoedescendoedesceeeeeeeeeendoooo... até que cheguei ao fim do morro e tomei "aquele" tombo. Rolei por alguns metros, certifiquei-me de que estava vivo, e passei a ter medo de esquiar.
- experiência de enfrentar os medos. Afinal, eu estava lá para esquiar, não é? Assim, comecei a descer de pontos mais baixos, e subindo cada vez mais. Logo aprendi a fazer curvas, e quando queriar parar bastava me jogar na neve, rolar um pouco, esperar a dor passar e pegar o teleférico de novo. Quando já era um iniciante experiente, deu a hora de parar.
Claro, teria aproveitado bem mais se já soubesse os fundamentos, mas no fim das contas foi bacana, sim. Voltei satisfeito, cansado e, graças a Deus, inteiro.
Terça-feira viajo novamente, um pouco mais longe dessa vez. Vou para Jerusalém, Israel, conhecer a bíblica terra de Jesus Cristo. Voltando, atualizo o blogue e conto como foi. Até lá! Fiquem com Deus.
sábado, 28 de março de 2009
Suécia, o Paraguai da Noruega
Claro, guardadas as devidas proporções. Mas o fato é que todo sábado às 9h00 um ônibus deixa Trondheim e, uma hora e meia depois, chega a Åre, logo após a fronteira entre a Noruega e a Suécia. O motivo: preço. Em primeiro lugar porque, ao contrário da Noruega, a Suécia faz parte da União Européia, sujeita dessa forma ao livre comércio, sem impostos, com muitos países da Europa. Em segundo lugar, apesar de estarem na U.E., os suecos não adotam o Euro. Sua moeda é a Coroa Sueca (SEK), que vale menos que a Coroa Norueguesa (NOK). Isso explica o título desta postagem: comprar lá sai bem mais barato.
Åre é turisticamente conhecida por ser um dos melhores pontos de esqui do mundo. O caminho é por entre montanhas cobertas pela neve, beirando um riacho. Até que, de repente, o ônibus entra em um supermercado no meio do nada, onde as pessoas têm pouco mais de uma hora para fazer suas compras. A minha:
Duas latas de Carlsberg
Um pote (100g) de caviar
Meio quilo de salmão
800 g de queijo gouda fatiado
Um desodorante
Dois pacotes de chiclete
Uma caixa de macarrão (italiano)
Três barras de chocolate
Uma garrafa de água
Um daqueles negócios de limpar o chão, tipo SmartMop
900 g de batata
800 g de pera
2 kg de arroz Uncle Bens
Um pão de forma
400 g de presunto
4 sacolas (sim, a sacola é cobrada)
Total: 549,73 SEK, ou 458,11 NOK, ou R$ 158,47. Pouco, para os padrões daqui. Meio dia e quinze partimos de volta e pouco antes das duas da tarde estávamos em Trondheim. Ida e volta por 25 NOK, ou R$ 8,65 (o supermercado subsidia o ônibus).
Em outras palavras: você passeia, vai para outro país, faz compra para vários dias e ainda economiza. Razoável, não?
Até a próxima. Fiquem com Deus.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Uma Partida de Fotball
E começou o campeonato norueguês de futebol. Domingo último fui prestigiar a estréia do Rosenborg, time de Trondheim, no estádio Lerkendal. O adversário, Vålerenga, veio de Oslo. Os confortáveis 3º C me permitiram tirar a blusa e prestigiar o jogo ostentando a camisa do meu querido São Paulo F.C. Atrás de um dos gols, a torcida organizada do Rosenborg se encarregou de cantar suas várias músicas durante o jogo. Annette me ensinou uma:
Å Rosenborg å Rosenborg, e Trondheims fotball lag.
Å Rosenborg Å Rosenborg tar seier'n hjem i dag.
Vi reise oss på store stå når troillongan går på.
For ingen banke RBK, å hei å hei å hei å hå
O restante dos quase 18 mil pagantes (ou 12% da população da cidade) assistiu ao jogo quieto e sentado.
O começo da partida foi feio. Chute para o alto, chute de canela, Berre puxa Lago dentro da área e é pênalti para o Rosenborg! Pênalti que Steffen Iversen bateu muito mal, à direita do gol. Mas o mesmo Steffen Iversen abriu o placar aos 45 do primeiro tempo, com um gol que vi muito mal porque estava longe.
No intervalo, chocolate e café bem quente.
O segundo tempo lavou o primeiro. Aos 15 minutos Trond Oslen chutou de fora da área e engavetou a redonda, 2 a 0. Aos 25 Lustig cruzou para Alexander Tettey, que de peixinho fez o terceiro e fechou a conta. Final: Rosenborg 3 X 0 V.I.F. Um excelente começo de temporada, e pretendo voltar ao Lerkendal. Claro, melhor ainda é saber que o glorioso Tricolor do Morumbi está com tudo na Libertadores.
Quanto à vida: a neve voltou a cair, mas derrete rápido devido à temperatura positiva. Venta bastante, e chove. No Marintek, algoritmos. Essa semana sonhei duas vezes que ia para o Brasil, em uma delas só para passar o fim de semana.
Deve ser a saudade. Fiquem com Deus.
sábado, 7 de março de 2009
E, Finalmente, Caí
Três semanas, quatro horas e cinco minutos. Foi o tempo que consegui ficar sem cair devido ao gelo que se forma em ruas e calçadas - desde minha chegada a Trondheim. Um recorde. Hoje, no entanto, descia para a pizzaria, uma ladeirinha cheia de gelo. De repente, paft! Caí com jeito, pelo menos, logo me levantei e já comecei a me lamentar, "poxa, não tinha caído até agora, e..." paft! E dessa vez um tombo de verdade, de bunda, com direito a dor e mão ralada. Dois tombos em menos de trinta segundos. Outro recorde.
quarta-feira, 4 de março de 2009
A Semana, Alguns Vídeos e uma Homenagem
Resumo rápido dos últimos sete dias: sexta almocei no Egon, restaurante que fica no alto de uma torre e gira, permitindo que se veja toda a cidade, o fiorde e as montanhas. Prometo voltar lá com câmera, um dia. Sábado fui procurar violão, fiquei fascinado com a loja de instrumentos e assustado com os preços. Segunda descobri que serviço público é serviço público em qualquer lugar. Ontem fez 8º C, e as calçadas estão ficando mais escorregadias.
Os dias estão ficando cada vez mais longos, o que não significa que já estejam longos. A rotina durante a semana ainda é sair de casa, ir pro Marintek, voltar pra casa e ficar no quarto, enfurnado. Vídeos no Youtube não faltam, separei uns e outros:
Nesse, Chico fala sobre Futuros Amantes, que é a melhor música que alguém já fez. Poesia, harmonia e arranjo únicos. Se seu dia estiver ruim, ouça Futuros Amantes.
Diana Krall também é sedativo. Nesse vídeo a mulher que não tem defeitos toca, em parceria com o baterista Peter Erskine, a música Love Me Like a Man, de Bonnie Raitt. Diana é a melhor.
Ivan Vilela é violeiro de excelência. Músico de primeira, Ivan é professor de Viola Caipira na USP. O considero o Raphael Rabello da viola, pelo sentimento que ele consegue passar através desse instrumento. Armorial é uma de suas composições. Conheci a música de Ivan justamente nesse show. Saudades da minha viola...
Fecho com Maria Rita cantando Conversa de Botequim, de Noel Rosa. Nem preciso acrescentar comentários.
E que Deus receba muito bem minha santa bisavó Maria, que se foi hoje depois de 91 anos de uma vida de fé e força. Deixou filhos, netos, bisnetos e valores.
E vocês, fiquem com Deus.
Os dias estão ficando cada vez mais longos, o que não significa que já estejam longos. A rotina durante a semana ainda é sair de casa, ir pro Marintek, voltar pra casa e ficar no quarto, enfurnado. Vídeos no Youtube não faltam, separei uns e outros:
Nesse, Chico fala sobre Futuros Amantes, que é a melhor música que alguém já fez. Poesia, harmonia e arranjo únicos. Se seu dia estiver ruim, ouça Futuros Amantes.
Diana Krall também é sedativo. Nesse vídeo a mulher que não tem defeitos toca, em parceria com o baterista Peter Erskine, a música Love Me Like a Man, de Bonnie Raitt. Diana é a melhor.
Ivan Vilela é violeiro de excelência. Músico de primeira, Ivan é professor de Viola Caipira na USP. O considero o Raphael Rabello da viola, pelo sentimento que ele consegue passar através desse instrumento. Armorial é uma de suas composições. Conheci a música de Ivan justamente nesse show. Saudades da minha viola...
Fecho com Maria Rita cantando Conversa de Botequim, de Noel Rosa. Nem preciso acrescentar comentários.
E que Deus receba muito bem minha santa bisavó Maria, que se foi hoje depois de 91 anos de uma vida de fé e força. Deixou filhos, netos, bisnetos e valores.
E vocês, fiquem com Deus.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Começando um Cotidiano
Era para ter postado domingo, mas fui deixando e acabei postando só agora. Sábado saí de manhã, desci até o centro e visitei a Catedral de Nidaros. Erguida em mil cento e pouco, dizem que lá está enterrado o viking Olav Haraldsson, que foi o rei responsável por trazer o cristianismo para cá tendo sido, alguns séculos depois, canonizado. Hoje, Sto. Olavo é o padroeiro da Noruega, mas a religião predominante aqui é a protestante. A catedral é maravilhosa, em estilo gótico. Muito bacana.
À noite, fui na pizzaria onde um brasileiro ia tocar MPB. Lá, conheci mais uns dez brasileiros, todos muito gente boa. Até toquei Garota de Ipanema, só para meus dedos não esquecerem como se faz um F7M, um G7/6, e assim por diante. A pizza (R$ 60), absurdamente ardida. Nada de prato, garfo ou faca.
Domingo cozinhei pela primeira vez, macarrão com camarão. À tarde fui a uma missa, católica, em inglês, freqüentada principalmente por estrangeiros, em especial asiáticos.
Hoje, quarta, finalmente peguei meu passaporte com seu devido visto e já dei entrada no meu "D-Number", com o qual poderei ser alguém por aqui. Ou seja, dentro de alguns dias já poderei pagar imposto. No Marintek, já estou começando a mexer no simulador e suando para ajustar os ganhos do filtro. Ao contrário de vocês, aí no Brasil, eu trabalhei no carnaval.
Enfim, não tem acontecido muita coisa ultimamente. Talvez pelo fato de os dias serem muito curtos. Mas já dá para ter uma idéia de por que a maioria dos matemáticos, físicos e iluministas eram europeus. Chega o inverno, o povo não quer saber de sair de casa. Resta descobrir como a taxa de natalidade pode ser tão baixa...
Bom, de qualquer forma, vou tocando em frente por aqui. Sábado vou ver se encontro um violão, e espero que não ele descoroe muito meu bolso.
Fiquem com Deus.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Tornando-se Legal
Para conseguir uma permissão de trabalho na Noruega, estando no Brasil, você precisa provar que possui um emprego aqui, ir ao consulado (em Brasília ou no Rio de Janeiro) e dar entrada no visto. Algum tempo depois eles te mandam um email com uma carta, dizendo que sua permissão foi concedida. Chegando aqui, você tem 7 dias para ir à delegacia e, só então, receber o visto no passaporte.
Foi o que fiz hoje, pela manhã. Desci o morro de casa, virei umas esquinas e me perdi. Fui parar numa avenida, pedi informação pra meia dúzia e tomei um ônibus para o centro.
Dentro do ônibus, perguntei para uma norueguesa de seus vinte e tarará como se chegava na delegacia. Ela pensou, pensou mas não soube explicar com palavras. Fofa, pediu para que eu descesse com ela e me levou até lá. Uns 10 minutos, andando.
Na delegacia, peguei a senha, sentei e ao meu lado havia uma brasileira. Disse que conhece um bocado de brasileiros aqui, e que sábado um deles tocará MPB numa pizzaria aqui perto.
Como vi que a fila ia demorar, fui dar uma volta. Na calçada turistas pediram informação para mim, coitados. Retribuí mais tarde, perguntando a um casal de dinamarqueses como eu pegava ônibus pro Marintek, para onde voltei após safar a questão do visto.
Fiquei impressionado com o Marintek. Alguns corredores são tão longos que usam-se patinetes para a locomoção (é sério!). A estrutura é de cair o queixo. Muito, mas muito bacana!
Comecei lá segunda-feira. Trabalharei com simulação, e por enquanto estou tendo que estudar um monte de coisa. Tenho minha própria sala, num corredor onde trabalha gente do mundo inteiro. Chinês, francês, inglês e até norueguês! No começo do corredor tem a sala do cafezinho com 4 tipos de chá, frutas, bolacha, café, etc. Meu orientador é gente boa e manja muito. Aliás, todos na empresa são assim. Todos cumprimentam, sorriem, conversam e são absurdamente competentes no que fazem. Além de sempre estarem dispostos a te ajudar caso você precise.
Enfim, estou aprendendo a Noruega. Descobrindo hábitos, lugares e preços. Já descobri que aqui tem time de futebol, tubaína (muito boa, por sinal) e que um pote de caviar custa menos que um pacote de pão-de-forma.
A saudade é grande. Fiquem com Deus.
Foi o que fiz hoje, pela manhã. Desci o morro de casa, virei umas esquinas e me perdi. Fui parar numa avenida, pedi informação pra meia dúzia e tomei um ônibus para o centro.
Dentro do ônibus, perguntei para uma norueguesa de seus vinte e tarará como se chegava na delegacia. Ela pensou, pensou mas não soube explicar com palavras. Fofa, pediu para que eu descesse com ela e me levou até lá. Uns 10 minutos, andando.
Na delegacia, peguei a senha, sentei e ao meu lado havia uma brasileira. Disse que conhece um bocado de brasileiros aqui, e que sábado um deles tocará MPB numa pizzaria aqui perto.
Como vi que a fila ia demorar, fui dar uma volta. Na calçada turistas pediram informação para mim, coitados. Retribuí mais tarde, perguntando a um casal de dinamarqueses como eu pegava ônibus pro Marintek, para onde voltei após safar a questão do visto.
Fiquei impressionado com o Marintek. Alguns corredores são tão longos que usam-se patinetes para a locomoção (é sério!). A estrutura é de cair o queixo. Muito, mas muito bacana!
Comecei lá segunda-feira. Trabalharei com simulação, e por enquanto estou tendo que estudar um monte de coisa. Tenho minha própria sala, num corredor onde trabalha gente do mundo inteiro. Chinês, francês, inglês e até norueguês! No começo do corredor tem a sala do cafezinho com 4 tipos de chá, frutas, bolacha, café, etc. Meu orientador é gente boa e manja muito. Aliás, todos na empresa são assim. Todos cumprimentam, sorriem, conversam e são absurdamente competentes no que fazem. Além de sempre estarem dispostos a te ajudar caso você precise.
Enfim, estou aprendendo a Noruega. Descobrindo hábitos, lugares e preços. Já descobri que aqui tem time de futebol, tubaína (muito boa, por sinal) e que um pote de caviar custa menos que um pacote de pão-de-forma.
A saudade é grande. Fiquem com Deus.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Chegada
Três trechos, 19 horas corridas e onze mil quilômetros percorridos. Foi assim a vinda de São Paulo até Trondheim. Para quem viaja ao exterior pela primeira vez, como é o caso, parece surreal acreditar que, realmente, é possível chegar a qualquer lugar do mundo. A viagem:
Curiosamente, saí de Cumbica tranqüilo. A viajem foi boa. Chegando a Lisboa, o crivo do setor de imigração. Uma hora de fila, três minutos de atendimento e a agente lusitana permitiu minha entrada no velho mundo.
Daí pra cá a ansiedade começou a tomar seu lugar, cativo, em mim. Ainda no vôo de Lisboa para Oslo tudo estava bem, mas o português que monopolizou o vôo anterior agora começava a dar espaço a um outro idioma, bárbaro para o bárbaro que chegava na Noruega. A coisa começou a se complicar.
Uma parada em Oslo, -10ºC e de repente caiu a ficha. Já era um estrangeiro de verdade, agora. Meu desespero diminuiu um pouco ao encontrar uma brasileira, com quem pude conversar em português por algum instante.
Sábado, às 17:10 (horário da Noruega) cheguei a Trondheim. Nevava, bastante. No ônibus do aeroporto para o centro da cidade bateu o desespero de ser só no longe, o medo do desconhecido. Fé em Deus, cheguei ao centro. A camada de neve nas calçadas chega a ter mais de 30 cm. Experimente arrastar duas malas de 20 kg cada nessas calçadas.
No centro da cidade me aguardava um funcionário do Marintek, empresa onde vou trabalhar. Viemos até o alojamento, depois fomos até a empresa. Pertinho daqui, uns 10 minutos a pé. Muito bem agasalhado, não passei frio. Exceto no rosto, boca e orelhas quase congeladas.
Em casa, finalmente pude conversar por horas com minha família, bendito Skype.
Todos dizem que os primeiros dias fora do país costumam ser difíceis, e de fato estão. É muito grande a saudade da família, de casa, dos amigos, de ir na padaria e dizer "dá meia dúzia de pão", de pagar os pães em Reais, de sair de casa sem blusa... mas principalmente da família, e dos amigos.
No entanto, a experiência valerá a pena, com certeza. O Marintek é muito bacana, minha formação será outra. Trondheim é uma cidade bonita, e os noruegueses são um povo de bem com a vida. Hoje (domingo, 15/2) pela manhã dei uma volta aqui por perto, um bairro residencial, pais puxando suas crianças sobre trenós, pessoas esquiando nas calçadas e passeando com seus cachorros.
Se Deus quiser, e com fé nEle, tudo correrá bem. Em julho estarei de volta ao Brasil, muito mais maduro e com a experiência de já ter vivido no país de maior IDH do planeta. Sem, no entanto, ter pretensões de viver fora do Brasil novamente. É meu país.
Beijos e abraços.
Curiosamente, saí de Cumbica tranqüilo. A viajem foi boa. Chegando a Lisboa, o crivo do setor de imigração. Uma hora de fila, três minutos de atendimento e a agente lusitana permitiu minha entrada no velho mundo.
Daí pra cá a ansiedade começou a tomar seu lugar, cativo, em mim. Ainda no vôo de Lisboa para Oslo tudo estava bem, mas o português que monopolizou o vôo anterior agora começava a dar espaço a um outro idioma, bárbaro para o bárbaro que chegava na Noruega. A coisa começou a se complicar.
Uma parada em Oslo, -10ºC e de repente caiu a ficha. Já era um estrangeiro de verdade, agora. Meu desespero diminuiu um pouco ao encontrar uma brasileira, com quem pude conversar em português por algum instante.
Sábado, às 17:10 (horário da Noruega) cheguei a Trondheim. Nevava, bastante. No ônibus do aeroporto para o centro da cidade bateu o desespero de ser só no longe, o medo do desconhecido. Fé em Deus, cheguei ao centro. A camada de neve nas calçadas chega a ter mais de 30 cm. Experimente arrastar duas malas de 20 kg cada nessas calçadas.
No centro da cidade me aguardava um funcionário do Marintek, empresa onde vou trabalhar. Viemos até o alojamento, depois fomos até a empresa. Pertinho daqui, uns 10 minutos a pé. Muito bem agasalhado, não passei frio. Exceto no rosto, boca e orelhas quase congeladas.
Em casa, finalmente pude conversar por horas com minha família, bendito Skype.
Todos dizem que os primeiros dias fora do país costumam ser difíceis, e de fato estão. É muito grande a saudade da família, de casa, dos amigos, de ir na padaria e dizer "dá meia dúzia de pão", de pagar os pães em Reais, de sair de casa sem blusa... mas principalmente da família, e dos amigos.
No entanto, a experiência valerá a pena, com certeza. O Marintek é muito bacana, minha formação será outra. Trondheim é uma cidade bonita, e os noruegueses são um povo de bem com a vida. Hoje (domingo, 15/2) pela manhã dei uma volta aqui por perto, um bairro residencial, pais puxando suas crianças sobre trenós, pessoas esquiando nas calçadas e passeando com seus cachorros.
Se Deus quiser, e com fé nEle, tudo correrá bem. Em julho estarei de volta ao Brasil, muito mais maduro e com a experiência de já ter vivido no país de maior IDH do planeta. Sem, no entanto, ter pretensões de viver fora do Brasil novamente. É meu país.
Beijos e abraços.
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