1º dia (7/4): viajei apreensivo, na verdade meio arrependido de ter escolhido Israel ao invés de aproveitar meu maior feriado para viajar pela Europa. Quis até fugir do aeroporto em Bruxelas, onde fiz uma conexão, mas segui meu rumo e, às 23:45 (horário de Israel) cheguei ao aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. Já na saída da escada rolante uma mocinha loirinha, olhos azuis e por aí vai me abordou: "Shalom! ##%¨¨¨%$%&$$&%¨$!" "Sorry?", respondi. "Passport, please!". E começou: "O que faz aqui? Onde ficará? Veio sozinho? Conhece alguém em Israel?". Foi apenas o primeiro de cinco interrogatórios em que foram feitas exatamente as MESMAS perguntas. Em um deles outra agente (ainda melhor que a primeira) chegou a revirar minha mala e carteira. Duas horas depois, passaporte carimbado, tive acesso ao resto do aeroporto, onde esperei até a manhã seguinte pela van até Jerusalém.
2º dia: cheguei a Jerusalém pouco antes do meio-dia, porque o picareta do taxista não queria sair do aeroporto enquanto a van não estivesse cheia (ainda que as regras me garantissem esperar no máximo uma hora). Em Jerusalém judeus queimavam coisas nas esquinas. À primeira vista a Cidade Velha me lembrou a rua 25 de Março. Meias, mirra, folhas-de-uva, temperos, roupas, pedras, jóias, artigos religiosos, vende-se de tudo naquele lugar. Por todos os lados soldados da guarda israelense, todos devidamente portando metralhadoras e fuzis (inclusive senhoritas de seus 20 e poucos anos). O albergue tinha um terraço de onde se podia ter uma vista muito bonita de Jerusalém, com o Monte das Oliveiras ao fundo. Depois fui andar pelos arredores, até chegar à igreja do Santo Sepulcro. De cara, a pedra onde Cristo foi deitado após a crucifixação. Era só o começo.
3º dia: uma linha de ônibus liga Jerusalém a Belém. São poucos quilômetros de distância, mas Belém já está sob jurisdição da Autoridade Palestina. Lá, israelense não entra. Belém também é uma cidade muito bonita. De alguns pontos é possível ter vistas muito bacanas. Para cristãos, o ponto principal é a Igreja da Natividade, mais precisamente a gruta on Jesus Cristo nasceu. Sem dúvida, um dos locais mais emocionantes onde já estive. Visitei também a Gruta do Leite, local de onde José e Maria fugiram com Cristo para o Egito. Reza a lenda que, ao amamentar o Menino, uma gota de leite de Maria caiu no chão, aí o nome da gruta. Verdade ou não, a gruta é, naturalmente, branca por dentro. Na volta a Jerusalém, uma parada no checkpoint. Soldados israelenses entram no ônibus portando fuzis AR-15 para checar passaportes. Cheguei a tempo de mais um passeio por Jerusalém. Passei pelo Muro das Lamentações, onde um judeu me xingou porque eu estava sem quipá e tirando foto no feriado. Depois, um bom tempo perdido pelas ruazinhas da Cidade Velha.
4º dia: monges franciscanos conduziram a Via Sacra, seguindo o mesmo caminho de Cristo em sua paixão, pela Via Dolorosa, e parando nas estações da Cruz. Um deles, brasileiro, me reconheceu como conterrâneo pela minha camisa do SPFC. Após a procissão, visitei finalmente o Santo Sepulcro, onde Cristo foi sepultado, vindo a ressuscitar no domingo seguinte. Mais um lugar único de se visitar, considerado o mais sagrado do mundo para os cristãos.
À tarde, inventei de conhecer o Mar Morto. A recepcionista do albergue tinha dito que era fácil chegar, e lá fui eu para Jericó. Chegando fui pedir informações, mas ninguém falava inglês (ao contrário de Jerusalém). Com muita dificuldade um quitandeiro me recomendou que eu seguisse por uma estrada. Fui indo, até que dois palestinos num carro que passava me ofereceram ajuda. Expliquei que queria ver o Mar Morto, mas eles não entenderam e me deixaram numa chácara, disseram para eu entrar. Entrei, um monte de gente fazendo churrasco. Me mandaram falar com um velho armeno, que falava inglês e me explicou que de lá eu não ia conseguir ver nada. Vendo que eu estava perdido, chamou um táxi que me levou de volta ao centro de Jericó, de onde voltei para Jerusalém. Pelo menos, vi o Mar Morto da estrada. À noite, vesti a camisa da seleção brasileira e saí pela Cidade Velha, e uns palestinos que estavam jogando futebol exigiram que eu jogasse com eles.
5º dia: de manhã fui fazer compras pela Cidade Velha e logo vi meus sheqels se esgotarem, sendo obrigado a trocar mais. Depois fui ao Monte das Oliveiras. Visitei lá o local de onde Cristo subiu aos céus, o local onde Ele ensinou o Pai Nosso aos apóstolos, a gruta onde Judas O traiu, o Dominus Flevit e a tumba da Virgem Maria. Além disso, pude ter uma das melhores vistas possíveis de Jerusalém. À noite, resolvi dar uma andada pela Jerusalém além da Cidade Velha. Que cidade! Shoppings, praças, hotéis, avenidas, bares, comércio, baladas. Quando o Sabbath termina os judeus saem todos às ruas, um povo muito de bem com a vida. É impossível dizer que aquilo lá não é o lugar deles. Realmente, a questão geopolítica de Israel é muito complexa.
6º e 7º dias: primeiro, a missa de Páscoa e a última visita ao Santo Sepulcro. Depois, mais uma andada pela Cidade Velha, e à noite mais uma volta por Jerusalém. Depois, voltei ao aeroporto, muito antes da hora do meu vôo porque queria tentar antecipá-lo. Sem sucesso, tive que esperar 12 longas horas até que pudesse embarcar.
Ao visitar tantos locais sagrados e importantes para o cristianismo, eram inevitáveis reflexões a respeito da fé em Deus, nos mistérios de Cristo e, principalmente, no bem que Ele nos faz. Em dados momentos sentia uma paz interior muito grande, de um modo que nunca tinha sentido antes. São muitas bençãos, só tenho mesmo a agradecer por tudo aquilo que tenho e terei, aqui e depois. E claro, além do lado religioso, a viagem foi única também nos aspectos históricos e principalmente culturais, pelo fato de coexistirem duas culturas bem distintas no mesmo lugar. Valeu muito a pena. Fiquem com Deus.
E pensar que você estava arrependido, antes da viagem, hein? Ainda bem que você não é de ligar para "maus presságios" e foi em frente, para uma das mais emocionantes e importantes aventuras de sua vida!
ResponderExcluir(Em tempo, fuzis, com Z. Equeceu as sondagens ortográficas da escola?)
Beijos, beijos, beijos...
Corrigido. Obrigado.
ResponderExcluirfuzis, com "Z". e se fossem "fuzizinhos"?? é Z e Z? essa seria uma boapalavra pra uma sondagem ortográfica...
ResponderExcluirFantástico o passeio, dá arrepios só de ler.
Vou colocar na minha lista de lugares a conhecer antes de morrer.